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ENTREVISTA À PRESIDENTE DA CMS, ROSA PALMA

 

«SILVES É UM LUGAR ESPECIAL NO QUE TOCA À HISTÓRIA E À CULTURA»

Rosa Palma, Presidente da Câmara Municipal de Silves (CMS), considera a Feira Medieval de Silves uma referência no que toca a este tipo de eventos, quer em Portugal, quer na Europa e revela algumas das suas preocupações na preparação de mais uma edição, a XVI.
A Feira Medieval de Silves continua a afirmar-se, ano após ano, como um dos principais eventos de verão no Algarve. Existem algumas novidades para a edição deste ano que nos possa adiantar?
Rosa Palma (RP) – A edição deste ano da “Feira Medieval de Silves” traz, novamente, a todo o público um evento forte e com uma dinâmica única na região. Em 2019, vamos revelar algo que se calhar poucos conhecem, mas que faz parte desta história tão rica do nosso concelho: a relação que Silves teve com os Vikings (a quem os muçulmanos chamavam majūs), que ameaçaram o Gharb no século IX, e, por isso, saiu de Silves (Xilb) uma embaixada liderada por um astuto diplomata e poeta, chamado Yahya b. Ḥakam al-Bakrī, melhor conhecido por Al-Gazalī (A Gazela), que ao serviço de Abd al-Rahman II se dirigiu ao norte da Europa, ao encontro dos Vikings, para negociar a paz, que acabou por durar aproximadamente um século, sendo o relato desta viagem com partida do porto de Silves no ano de 844 a mais antiga fonte escrita relativa a esta que foi uma das mais distintas cidades do Gharb al-Andalus. Contar toda esta história é já uma novidade, mas teremos mais pontos de animação e surpresas no fantástico cenário natural da cidade, que é perfeito para a realização deste evento e que contribui para o prestígio que o certame granjeou ao longo destes anos no Algarve, no país e até mesmo na Europa.


Voltamos a revelar a imensa riqueza da história desta cidade e deste concelho…
RP – Sim, é precisamente essa a nossa preocupação central. Sabemos que estamos perante um evento de recriação histórica e essa recriação é que lhe dá alma, lhe dá a cor que é tão particular de Silves e das suas gentes. Silves tem ocupação humana, sabemos, desde a pré-história. Por aqui passaram povos, religiões, culturas e modos de ser muito diversos, que nos deixaram saberes e modos de estar e ser que nos são muito peculiares. A cultura é uma marca desta cidade e está profundamente ligada a essa herança de que muito nos orgulhamos, porque Silves é um lugar especial no que toca à cultura e à história.


Mas este evento, embora de recriação histórica e procurando dar a conhecer o passado da cidade, é um evento que tem outras preocupações e outras dinâmicas, nomeadamente envolvendo as associações locais, certo?
RP – A Feira Medieval de Silves é, também, um espaço para que as associações locais possam estar presentes e poderem, ao longo dos 10 dias do evento, estimular os seus associados à realização de trabalho voluntário e angariar fundos, para que ao longo do ano tenham a possibilidade de pôr de pé os seus projetos, com fundos próprios. Aliás, consideramos que o sucesso deste evento acontece porque criamos todo um ambiente que motiva à participação da comunidade. É esse o verdadeiro espírito deste evento. A Feira vive das pessoas que a amam e que amam a sua terra, a sua história e por ela tudo fazem. A Feira de Silves tem essa forte componente, que a transforma num espaço único de vivências, não apenas para os visitantes, mas para todos os que nela trabalham. E isso significa que, se todos participam e se envolvem, todos tiram proveito financeiro, o que não é de todos de desprezar, já que as coletividades necessitam desse encaixe para continuarem a realizar, ao longo do ano, muitas iniciativas.


E mais uma vez, como tem acontecido ao longo das últimas edições, serão introduzidas novidades. Pode falar-nos delas?
RP – Este ano teremos a introdução de alguns suportes tecnológicos, que ajudarão na experiência dos visitantes e lhes permitirão consultar o programa do evento, aceder ao site da autarquia na área da Feira Medieval e, também, dar a sua opinião sobre o evento. É uma forma de podermos estar mais perto dos visitantes e de procurarmos interagir de outro modo com eles. Igualmente, teremos mais pontos de animação e surpresas no fantástico cenário natural da cidade, que é perfeito para a realização deste evento e que contribuirão para cimentar o prestígio que o certame granjeou ao longo destes anos no Algarve, no país e até mesmo na Europa. Para além disso, o rio Arade será usado na recriação do desembarque viking e outros rituais deste povo também serão recriados: o casamento, os sacrifícios humanos aos deuses, o ritual da águia de sangue e o ritual fúnebre. E também existirão novos elementos cenográficos, criados pelo nosso sector de carpintaria e desenhados pelos nossos técnicos de desenho, que darão um ar ainda mais medievo à cidade!


Do mesmo modo, no que toca à melhoria da recolha de resíduos e sensibilização dos participantes e visitantes para esse facto, vai continuar a apostar-se ou já está tudo feito?
RP – Desde maio deste ano que estamos a implementar uma campanha a que chamamos “Lixo Zero – Ambiente 100”, com a clara preocupação em sensibilizar as pessoas para a necessidade de reduzirmos resíduos, sobretudo os que são de maior longevidade e que contribuem fortemente para a poluição que hoje é visível no nosso planeta.
Essa campanha será o mote para continuarmos um trabalho que tem vindo a ser desenvolvido há já cinco edições da Feira Medieval, altura em que passamos a ter o evento certificado como “EcoEvento” pela Algar (empresa certificada e responsável pelo Sistema de Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos Urbanos - RSU do Algarve). Assim sendo, é nossa preocupação central sensibilizar quem vem à Feira para que use corretamente os recipientes do lixo e colabore na preservação do meio ambiente. Se todos colaborarem, os números relativos a resíduos que enviamos para reciclagem continuarão a aumentar e teremos um evento com uma pegada ecológica cada vez menor. Por isso, a ALGAR assegurará formação específica aos responsáveis pela higiene e limpeza do recinto, disponibilizando os equipamentos para a deposição de resíduos (nomeadamente sacos verdes, azuis e amarelos, que permitem a separação dos mesmos).


Sendo este um evento âncora da autarquia e um dos maiores da região, como valoriza a sua importância económica?
RP – A Feira Medieval de Silves contribui para a promoção turística do nosso território, não apenas do concelho, mas do Algarve, marcando o panorama regional estival. Movimenta o tecido empresarial local, permitindo que o pequeno comércio e a restauração tenham uma dinâmica que dificilmente se consegue noutras ocasiões e é uma das ações que comprovam a capacidade de atrair do concelho. E não me refiro somente, como diz, ao património histórico e monumental – a que a Feira Medieval de algum modo está associada -, mas à gastronomia, aos produtos da terra e, sobretudo, àquilo que está profundamente enraizado em nós. Dou o exemplo dos vinhos que têm motivado diversas ações e que se agrupam na marca da autarquia “Vinhos de Silves” (o Jazz nas Adegas, que tem sido um absoluto sucesso, com todas as suas sessões esgotadas, após termos, este ano duplicado o número que habitualmente era realizado), da laranja, de que somos a capital (“Silves Capital da Laranja”, outra marca do Município), da caldeirada e do folar. Todos estes produtos são emblemas de nós mesmos e permitem-nos chegar a quem nos visita, motivando interesse e curiosidade e gerando receitas, que é muito importante para a economia local, mesmo na Feira Medieval, porque os visitantes vão aos restaurantes e às lojas e contactam com toda esta realidade. Consideramos, pois, que a feira contribui para que Silves seja, no panorama regional, uma marca forte, um símbolo de diferenciação e de afirmação de genuinidade. Porque é isso que faz a diferença!


Gostaria de deixar uma mensagem a quem ler esta entrevista?
RP – Gostaria de agradecer os muitos apoios que temos para que este evento aconteça: patrocinadores, parceiros media, artistas, coletividades, artesãos e taberneiros, o staff da autarquia e os visitantes!
Contamos com todos para que a Feira Medieval de Silves seja uma grande festa e é com todos que podemos montar este evento e fazer dele um espaço de animação, de partilha da história e da cultura, de criação de sinergias e de crescimento partilhado. A todos, Muito obrigada e visitem o concelho de Silves!