Site Autárquico Silves

Eventos e Episódios Diários

Eventos diários

18h00     Abertura da Feira Medieval de Silves | Cortejo pelas Ruas e Largos da Medina
18h30     Leitura do Edital | Portas da Cidade
19h00     Teatralização do Episódio Diário | Largo da Sé
20h00     Torneio de Armas a Cavalo na Liça | Praça Al-Mu’thamid
22h00     Espetáculo "Trovador sem rumo, príncipe sem coroa" | Castelo de Silves
22h30     Torneio de Armas a Cavalo na Liça | Praça Al-Mu’thamid

 

Episódios diários

Dia 11 de agosto | Ibn Ammar, de Xanabûs para Xîlb
Ibn Ammar, com pouco mais de uma dezena de anos, deixa os seus pais (Al-Hussein e Xumaysa) e a sua casa em Xanabus (S. Brás de Alportel) e vem estudar para a Madrasa de Xilb (Silves), a grande capital de província. Sai de madrugada e chega faminto, por volta das três da tarde, logo procurando um mercador rico da cidade a quem pudesse dedicar um poema em troca de sustento. O mercador é encontrado, o poema é apreciado e retribuído com um saco de cevada.

Dia 12 de agosto | Ibn Ammar, de Xîlb para Qûrtuba, Ixbîlia e Zaraqûsta
Viaja para Córdova, a grande capital intelectual do al-Andalus. Ali ouviu cursos de direito, de gramática e de língua árabe, mas foi pela poesia que se apaixonou. Concluídos os estudos procura um mecenas por várias cidades. Em 1053 chega à corte de Sevilha onde o rei Al-Mot’adid o acolhe como poeta. Trava conhecimento com o príncipe Al-Mut’amid de quem se torna inseparável. Esta amizade é desaprovada pelo rei muçulmano que o escorraça obrigando-o a viajar para Saragoça onde faz sólidas amizades.

Dia 13 de agosto | Ibn Ammar Vizir de Xîlb
Al-Mot’adid morre em 1074 e Al-Mut’amid assume o governo do reino de Sevilha nomeando Ibn Ammar Vizir de Silves. O novo governante entra na cidade rodeado por um magnífico cortejo e por uma multidão de escravos e cortesãos, mostrando maior fausto do que exibira antes o próprio Al-Mut’amid quando governara a cidade. De imediato mandou chamar o antigo benfeitor, a quem devolveu cheio de moedas de prata, o mesmo saco, que então cheio de cevada, lhe servira para saciar a fome.

Dia 14 de agosto | Ibn Ammar na Corte de Ixbîlia
Os dotes políticos e diplomáticos de Ibn Ammar são essenciais a Al-Mut’amid que, à frente de um reino em expansão, necessita de um hábil diplomata para o ajudar no desenho da sua estratégia. O vizir de Silves é chamado a Sevilha para se tornar conselheiro de Al-Mut’amid. Ali, a vida palaciana é intensa e a corte é frequentada por grandes artistas. O passeio pelas margens do Guadalquivir, tal como o Rio Arade inspirador de poetas, promove o encontro com Rummaikkya, a escrava cujo domínio da palavra supera a momentânea capacidade de Ibn Ammar de corresponder ao desafio de Al-Mut’amid para completar um poema. Esta, sob o nome de Int’imad, tornar-se-á a esposa preferida do rei o que causa ciúme a Ibn Ammar.

Dia 15 de agosto | Ibn Ammar – A Premonição
Numa noite em que no palácio foi servida regada ceia, diz-se que, talvez devido aos vapores do álcool, Al-Mut’amid estava ainda mais atencioso do que era habitualmente para com o seu amigo. Após os convivas se terem retirado convidou para o seu leite Ibn Ammar, que ao cair no sono, ouviu uma voz infeliz sussurrar-lhe: “Ele te matará”. Apesar do pânico voltou a adormecer e a voz insistente lhe repetia o mesmo. Aterrorizado, escondeu-se num galinheiro com intenção de se evadir no dia seguinte para o Norte de África. Quando amanheceu foi encontrado pelo amigo a quem, pressionado, contou o pesadelo. Al-Mut’amid tranquilizou-o dizendo-lhe que ele fazia parte da sua vida e da sua alma e, matá-lo, seria um suicídio.

Dia 16 de agosto | Ibn Ammar – O Jogo de Xadrez
Estamos numa época em que o al-Andalus é dominado por diversos reinos independentes, lutando os seus senhores constantemente pela conquista de outros e pelo engrandecimento do seu poder. Na geografia da península predominam reinos governados por cristãos mas, maioritariamente, por muçulmanos. Nesta altura D. Afonso VI de Castelo tenta conquistar Sevilha mas Ibn Ammar, astuto e conhecedor do inimigo, desafia-a para uma partida de xadrez, cujo vencedor determinaria a posse do reino. Ibn Ammar vence a partida e Sevilha mantêm-se nas mãos da dinastia Abádida.

Dia 17 de agosto | Ibn Ammar e a Tomada de Múrcia
Tendo o reino de Sevilha já a anexado importantes reinos, como fora Mértola, Silves, Niebla, Carmona, Ronda e Arcos de La Frontera, e ainda que tivesse fracassado em Granada e Badajoz, em 1078 Abu Bacr Ibn Ammar é enviado para tentar a conquista de Múrcia deixando, no embate, aprisionar o filho de Al-Mut’amid. Recusando-se a pagar o resgate deixa Rashîd mantido em cativeiro. Sabendo do desagrado de Al-Mut’amid Ibn Ammar envia-lhe sentidas palavras tentando, mais uma vez, obter o seu perdão que acaba sendo concedido.

Dia 18 de agosto | Ibn Ammar e o retorno a Zaraqusta
Apesar de perdoado a sua imensa sede de poder faz com que volte a investir sobre Múrcia que acaba por conquistar. Ao invés de voltar para Sevilha permanece e proclama-se independente. Aqui têm início sérias desavenças entre Ibn Ammar e o rei de Sevilha. Pouco depois foi ele próprio traído e expulso de Múrcia sem honra nem tesouro. Bateu, em vão, à porta de vários palácios, tentou mesmo uma aliança com D. Afonso VI de Castela, mas só Al-Mamûn de Saragoça lhe abriu os braços.

Dia 19 de agosto | Ibn Ammar – O fim dos seus tempos
Em Saragoça Ibn Ammar leva uma vida triste meditando sobre os atos insensatos que tinha cometido. É uma época de grande produção literária tal como sucede em todos os momentos mais trágicos da sua vida. O tédio apodera-se do seu espírito levando-o a, mais uma vez, oferecer os seus préstimos a Al-Mut’amid que os aceita e lhe encomenda novas conquistas. Na primeira obtém êxito mas na segunda deixa-se capturar durante o cerco de Segura. Ali é feito escravo e comprado pelo rei de Sevilha.

Dia 20 de agosto | Ibn Ammar – A Inevitabilidade de Morte
Al- Mut’amid está cansado de tantas vezes ser atraiçoado e não consegue perdoar mais uma vez o seu (quase) incondicional amigo. Algemado sobre um burro é conduzido a Sevilha e encarcerado, sendo depois morto à machadada pelas mãos do próprio Al-Mut’amid. De nada lhe serviram as mil e uma desculpas em emocionantes versos. Cumpria-se a premonição, não se cumpria a promessa.