“Do Reino à Região” CÂMARA MUNICIPAL DE SILVES INAUGURA EXPOSIÇÃO “OS NÓS DOS OUTROS”, DE MARIANO PIÇARRA

Por sm

2010-6-5

A Câmara Municipal de Silves (CMS) inaugura, no próximo dia 5 de Junho, pelas 18h00, no Museu Municipal de Arqueologia, a exposição “Os Nós dos Outros”, de Mariano Piçarra.

Esta exposição retrata as vivências dos viajantes, que percorrem os desertos de Oman e do Egipto, que, segundo palavras do autor, «são habitados por pessoas e sombras que os extrapolam e perseguem o viajante para além do seu espaço físico».

Esta exposição ficará patente até ao dia 23 de Outubro, na sala superior do Museu.

Texto do autor:

Os Nós dos Outros

Os desertos do Médio Oriente são habitados por pessoas e sombras que os extrapolam e perseguem o viajante para além do seu espaço físico. Estes conjuntos de fotografias não têm sucessão no tempo ou mesmo no espaço, mas juntam-se no nosso imaginário, na nossa vontade de interpretar os sinais da solidão.

Em Oman o deserto é linear e habitado. Os corredores de camelo juntam-se pela madrugada vindos de várias cidades e aldeias num ponto aparentemente aleatório do imenso espaço de luz tórrida. Ao aglomerarem-se os seus corpos e os dos animais formam uma massa única e indivisível, criando uma relação orgânica, de simbiose entre os homens e os camelos. Estes são protecção, são leitos, são encostos, antes de serem montadas, antes de serem transporte. Ao contrário do cavaleiro que forma com o seu cavalo dois corpos atómicos, como um planeta e o seu satélite, na corrida de camelos homens e animais constituem uma mole única - uma grande constelação.

O silêncio do deserto é interrompido quando esta massa indistinta de homens e animais se concentra. Uma imensa algazarra resulta das conversas e do convívio entre os participantes. Os concorrentes alinham-se por classes de idade e partem para a pista numa ordem repentinamente revelada. O silêncio é retomado. O próximo alarido, é mais focado – já existe um vencedor.

A segunda série é uma interpretação sobre o Egipto. O Egipto dos grandes desertos, líbio, branco, negro, dos camiões solitários, da terra imensa e poluente da qual nos purificamos descalçando-nos. O Egipto dos oásis férteis. O Egipto das festas onde mulheres e homens lançam olhares diferenciados pelos panos coloridos que os separam.  O Egipto em que a luz e as sombras desafiam os homens a interpretá-las, a criarem as cosmogonias religiosas onde todos mergulhamos o nosso imaginário. O Caminho, a Montanha, a Solidão, a Palavra, a Oração, a Comunhão. O Egipto onde o camelo deu lugar ao camião, a palavra manuscrita à impressa, a palavra verbal ao rádio, os sapatos substituem as sandálias - novos suportes de velhas matrizes.

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