EXPOSIÇÃO “Do Gharb ao Algarve: uma sociedade islâmica no ocidente” - Casa da Cultura Islâmica e Mediterrânica

Por sm

2010-12-1

“Do Gharb ao Algarve: : uma sociedade islâmica no ocidente”

EXPOSIÇÃO ABRE DIA 16 DE JULHO, NA CASA DA CULTURA ISLÂMICA E MEDITERRÂNICA DE SILVES

A Câmara Municipal de Silves (CMS) inaugura, no próximo dia 16 de Julho, pelas 19h30, na Casa da Cultura Islâmica e Mediterrânica a exposição “DO GHARB AO ALGARVE: uma sociedade islâmica no ocidente”. Esta mostra, integrada numa exposição conjunta da Rede de Museus do Algarve, intitulada "Algarve do reino à região - Outras Viagens, Outros Olhares", mostra a importância do passado islâmico de toda a região algarvia e muito em especial da cidade de Silves.

Mais de uma centena de peças, organizadas por Santiago Macias (Universidade de Coimbra - Investigador do Programa da FCT Ciência 2008), o Comissário Científico do evento e por Maria José Gonçalves e Joana Pires, Comissárias Executivas, conta a história desta região associada ao mundo islâmico, cuja ligação durou mais de cinco séculos. A Museografia esteve a cargo de José Alberto Alegria (com a colaboração de François Boaventura), que também concebeu o design gráfico (auxiliado por Rui Correia).

«DO GHARB AO ALGARVE: uma sociedade islâmica no ocidente

No período islâmico o Gharb (ocidente) abrangia todo o sudoeste peninsular, uma área muito mais vasta que o Algarve actual. A islamização mais prolongada no extremo sul do território acabou por contribuir para a atribuição, de forma perene, deste nome à região onde vivemos.

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A sonoridade árabe da palavra casa bem com os mais de cinco séculos de pertença ao mundo islâmico e com as características mediterrânicas do território. É esse troço do passado da região que Do Gharb ao Algarve: uma sociedade islâmica no ocidente pretende, em linhas gerais, apresentar e perspectivar em termos históricos. As fontes escritas sobre o território e os edifícios que chegaram até nós são insuficientes para lançar luz sobre a história do Algarve islâmico. Assumem, assim, especial importância os materiais arqueológicos, recolhidos em intervenções de diversa índole. Foi a partir deles que se concebeu esta exposição e que se deu corpo ao seu projecto.

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Com cerca de uma centena de peças se ajuda a contar a história de uma região. Os materiais são apresentados por núcleos temáticos, intimamente ligados ao quotidiano das populações. Sublinha-se, ao longo de todo o percurso, um jogo de contradições, que ajudaram a criar a dinâmica do Algarve daqueles tempos. Por esse motivo os cinco sectores da exposição se intitulam “entendimento e confronto”, “importação e fabrico”, “casa e palácio”, “lazer e trabalho” e “crença e superstição”. A realidade histórica e social da região, particularmente marcada nesta época por uma diversidade que abrangeu todos os aspectos da sociedade, é assim enfatizada.

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E se o núcleo central deste Do Gharb ao Algarve é dominado pela memória histórica do período islâmico num segundo sector faz-se apelo à lógica das continuidades culturais. Palavras, aromas e sabores, utensílios de cozinha e a memória mediterrânica das formas da arquitectura têm aí lugar de destaque e explicam importantes raízes da matriz cultural do extremo sul de Portugal continental.

Breve viagem no tempo, Do Gharb ao Algarve fala de um tempo que foi de califas e de palácios, de poetas e de bailarinas da corte, mas também de artesãos, de comerciantes, de agricultores e de pescadores. É a luz desse passado que nos ajuda também a compreender o nosso presente colectivo.»

Texto de Santiago Macias

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FICHA TÉCNICA DA EXPOSIÇÃO:

Coordenação geral
Manuela Guerreiro

Comissariado científico e textos
Santiago Macias (Universidade de Coimbra - Investigador do Programa da FCT Ciência 2008)

Comissariado executivo
Maria José Gonçalves
Joana Pires

Museografia
José Alberto Alegria (com colaboração de François Boaventura)

Design Gráfico
José Alberto Alegria (com colaboração de Rui Correia)

Catalogação de Peças
Maria José Gonçalves
Santiago Macias

Fotografias
António Cunha
António Alegria
Archivo Fotográfico Oronoz
ARGUMENTUM
Hassan Nadim
INFORGEO
José Alberto Alegria
José Barronhos
Tabela Cronológica
Isabel Cristina Ferreira Fernandes

Traduções
Jonathan Wilson

Powerpoint (palavras em árabe e em português)
Museu Nacional de Arqueologia

Documentário sobre Al-Muthamid
Rádio Televisão Portuguesa

Conservação e restauro
Fátima Mugeiro Silva
Isabel Maria Nunes
Luisa Mogo Nascimento

Réplica da lápide de Odeleite
Isabel Maria Nunes
Luisa Mogo Nascimento

Coordenação de Montagem
Maria José Gonçalves
Ricardo Nascimento

Montagem e Transportes
António Medeiros Rodrigues
Fátima Mugeiro Silva
Isabel Maria Nunes
Luisa Mogo
Ricardo Nascimento

Audiovisuais
Carlos Rocha
Nuno Lourenço

Execução da obra
Carpintaria: Barradas e Gonçalves, Lda.; Carpindústria; Divisão de Obras Municipais da Câmara Municipal de Silves; Silmadeiras; Silviense
Serralharia: Joaquim das Neves
Vidros e Acrílicos: DecorVidro; Sul Tempera
Estruturas de Terra Crua: Darquiterra,Lda

Seguros
ALLIANZ, Seguros, S.A.

Proveniência das peças expostas
Câmara Municipal de Lisboa
Câmara Municipal de S. Brás de Alportel
Câmara Municipal de Serpa
Campo Arqueológico de Tavira
Castelo de Salir – Centro de Interpretação
Museu da Cidade de Lisboa
Museu de Alcoutim
Museu de Elvas
Museu de Évora
Museu de Mértola
Museu do Cerro da Vila
Museu Hebraico Abrãao Zacuto (Tomar)
Museu Municipal de Arqueologia de Albufeira
Museu Municipal de Arqueologia de Loulé
Museu Municipal de Arqueologia de Silves
Museu Municipal de Arqueologia Pedro Nunes (Alcácer do Sal)
Museu Municipal de Faro
Museu Municipal de Moura
Museu Municipal de Tavira
Museu Nacional de Arqueologia
Museu Regional de Beja
Paróquia de S. Paulo (Tavira)
Pousadas do Convento (Tavira)
Universidade de Lisboa (UNIARQ)
Universidade do Algarve

Agradecimentos
Anabela Martins e Ângela Ferraz (Museu Hebraico de Tomar), Ana Caessa (Museu da Cidade de Lisboa), Ana Margarida Arruda (UNIARQ - Universidade de Lisboa), Luís Raposo, Ana Isabel Santos e  Adolfo Silveira (Museu Nacional de Arqueologia), José Carlos Oliveira (Museu Regional de Beja),  António Alegria e Celso Mangucci (Museu de Évora), Ana Sofia Antunes (Museu de Serpa),  Lígia Rafael (Museu de Mértola),  Alexandra Gradim,  Manuela Palma e  Luís Canelas (Câmara Municipal de Alcoutim),  Jorge Queiróz, Rita Manteigas,  Sandra Cavaco e Jaquelina Covaneiro (Câmara Municipal de Tavira),  Padres Flávio e Dinis Faísca (Paróquia de Sta. Maria – Tavira),  Manuel Maia e  Maria Maia (Campo Arqueológico de Tavira), Cristina Neto, Luís Santos, Jorge Manhita e Susana Paté (Câmara Municipal de Faro), João Pedro Bernardes (Universidade do Algarve),  Isabel Luzia e  Alexandra Pires (Câmara Municipal de Loulé), Angelina Pereira (Câmara Municipal de S. Brás de Alportel),  Ana Pratas e Filipe Henriques (Museu do Cerro da Vila), Luís Campos Paulo e Ana Martinho (Câmara Municipal de Albufeira), José Marreiros (Associação de Defesa do Património Histórico-Arqueológico de Aljezur), Maria Júlia Fernandes (Rádio Televisão Portuguesa), Manuel Bio (Pousadas de Portugal), Rádio Televisão Portuguesa, Instituto de Museus e da Conservação e todas as instituições que cederem objectos para a exposição.

Núcleo Museu Municipal de Arqueologia de Silves

EXPOSIÇÃO “OS NÓS DOS OUTROS”, DE MARIANO PIÇARRA

Patente no Museu Municipal de Arqueologia, encontra-se a exposição “Os Nós dos Outros”, de Mariano Piçarra, também ela integrada na iniciativa "Do reino à região".

Esta exposição retrata as vivências dos viajantes, que percorrem os desertos de Oman e do Egipto, que, segundo palavras do autor, «são habitados por pessoas e sombras que os extrapolam e perseguem o viajante para além do seu espaço físico».

Esta exposição ficará patente até ao dia 23 de Outubro, na sala superior do Museu.

Os Nós dos Outros

«Os desertos do Médio Oriente são habitados por pessoas e sombras que os extrapolam e perseguem o viajante para além do seu espaço físico. Estes conjuntos de fotografias não têm sucessão no tempo ou mesmo no espaço, mas juntam-se no nosso imaginário, na nossa vontade de interpretar os sinais da solidão.

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Em Oman o deserto é linear e habitado. Os corredores de camelo juntam-se pela madrugada vindos de várias cidades e aldeias num ponto aparentemente aleatório do imenso espaço de luz tórrida. Ao aglomerarem-se os seus corpos e os dos animais formam uma massa única e indivisível, criando uma relação orgânica, de simbiose entre os homens e os camelos. Estes são protecção, são leitos, são encostos, antes de serem montadas, antes de serem transporte. Ao contrário do cavaleiro que forma com o seu cavalo dois corpos atómicos, como um planeta e o seu satélite, na corrida de camelos homens e animais constituem uma mole única - uma grande constelação.

O silêncio do deserto é interrompido quando esta massa indistinta de homens e animais se concentra. Uma imensa algazarra resulta das conversas e do convívio entre os participantes. Os concorrentes alinham-se por classes de idade e partem para a pista numa ordem repentinamente revelada. O silêncio é retomado. O próximo alarido, é mais focado – já existe um vencedor.

A segunda série é uma interpretação sobre o Egipto. O Egipto dos grandes desertos, líbio, branco, negro, dos camiões solitários, da terra imensa e poluente da qual nos purificamos descalçando-nos. O Egipto dos oásis férteis. O Egipto das festas onde mulheres e homens lançam olhares diferenciados pelos panos coloridos que os separam.  O Egipto em que a luz e as sombras desafiam os homens a interpretá-las, a criarem as cosmogonias religiosas onde todos mergulhamos o nosso imaginário. O Caminho, a Montanha, a Solidão, a Palavra, a Oração, a Comunhão. O Egipto onde o camelo deu lugar ao camião, a palavra manuscrita à impressa, a palavra verbal ao rádio, os sapatos substituem as sandálias - novos suportes de velhas matrizes.»

Texto de Mariano Piçarra

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