Não é fácil encontrar fora de Silves uma convergência tão evidente entre os interesses locais do património cultural, sobretudo arqueológico e museográfico, e a vontade e a prática dos poderes autárquicos. É certo que esta cidade não é dissociável da presença e imponência do seu belo castelo e das sugestões culturais por ele exigidas - e no entanto as opções podiam ser outras, as propostas podiam ser diferentes, os olhares podiam desviar-se para outras formas mais banais de incentivar o progresso e o desenvolvimento.
Neste Plano Estratégico, parece-me ter sido encontrado o necessário equilíbrio entre um turismo de sol e praia, dominante na costa, e um turismo cultural e ambiental previsto para as zonas de interior onde a sustentabilidade deve ser a marca de qualidade.
Tudo leva a crer que serão mantidas e mesmo desenvolvidas as capacidades e potencialidades de afirmação nacional e internacional do projecto de Silves como centro agregador e capital histórica do Algarve islâmico, consolidando o seu relacionamento com o outro lado do Mediterrâneo.
Também estou convencido de que este Plano Estratégico, prosseguindo a política cultural da autarquia, permitirá reatar um necessário e benéfico relacionamento com o próximo executivo autárquico de Mértola e com o Centro de Estudos Islâmicos do Campo Arqueológico de Mértola, para uma futura colaboração em áreas relacionadas com a arqueologia, museografia e estudos avançados. Hoje, como ontem, os responsáveis autárquicos de Silves souberam separar o essencial do acessório, enveredando por um desenvolvimento económico baseado prioritariamente nas valências culturais da região que, de modo geral, não só são esquecidas, como quase sempre depreciadas.