Professor Doutor João Guerreiro, Reitor da Universidade do Algarve

Por JF

2009-8-10

Reflectir sobre a estratégia é antecipar o futuro.

A elaboração de um Plano Estratégico com incidência num determinado território é um exercício de reflexão que pressupõe a uma análise simultaneamente detalhada e integrada sobre esse mesmo território.

É, como se disse, um exercício de reflexão que obriga a um distanciamento em relação à rotina, que impõe uma exigente e alargada capacidade de análise, que convoca um profundo conhecimento das realidades locais e regionais, que integra os benefícios que os fluxos externos poderão aportar e que evoca uma postura que, nos nossos dias, terá necessariamente uma componente de inserção global.

Mas a estratégia de desenvolvimento de um território não poderá reduzir-se a um exercício formalmente estruturado ou politicamente correcto. Terá de resultar da capacidade de apropriação por parte da comunidade local das principais linhas de desenvolvimento acolhidas no Plano, dos seus programas e das suas acções, valorizando-as e projectando-as para o futuro. A participação das comunidades locais, se bem conseguida, é um dos elementos chave capaz de assegurar o êxito a qualquer estratégia de desenvolvimento que se pretenda sustentada.

No caso de Silves, o Plano apresentado revela, para além da caracterização minuciosa do concelho, uma base de sustentação que é interessante. Recorre aos sectores tradicionais das actividades do concelho (agricultura e comércio), reconhece um quadro de povoamento disperso que pressiona os padrões modernos de valorização dos centros urbanos, sublinha os domínios que registaram elevadas taxas de crescimento nos últimos anos (turismo e construção) e aponta para o património e a cultura como elementos estruturantes capazes de assegurarem um fio condutor à estratégia de desenvolvimento do concelho.

Esse mesmo propósito vem reflectido nos pilares estratégicos identificados no Plano. Àquelas linhas de suporte, o Plano sublinha a capacidade de governança, no triplo sentido de ordenamento, participação e sustentação, bem como a abertura à inovação e ao conhecimento. Estes dois últimos pilares são fundamentais. O conhecimento e a inovação são elementos que deverão estar presentes, de forma transversal, nas diversas iniciativas a desenvolver. Cada vez mais a incorporação de conhecimento nos projectos de melhoria ou de transformação social, económica e ambiental dos nossos territórios constitui uma característica imprescindível que define as intervenções com carisma das que apenas se destinam a reproduzir rotinas ou a cumprir calendários.

A herança histórica e o património cultural de Silves são, por si próprios, um dos eixos de desenvolvimento que poderá dar coerência às restantes linhas de intervenção. Todos os demais se baseiam, se cruzam ou se completam com o quadro histórico, repleto de heranças patrimoniais, de conhecimentos acumulados, de vínculos simbólicos sólidos e de saberes que resultam de um convívio harmonioso com o meio natural. Este talvez o eixo fundamental que permite concertar os diversos aspectos do Plano Estratégico.

Nunca é demais recordar que cada território, independentemente dos recursos que tem, se diferencia pela adequada estratégia que consegue definir. Eis, pois, a importância do Plano Estratégico de Silves.