O Castelo de Silves situa-se no ponto mais elevado da colina em que a cidade assenta.

De acordo com al-Razí, no século X «o senhorio de Ocsonoba detinha vilas e castelos, um dos quais é Silves, que é a melhor vila do Algarve». A atual implantação da alcáçova de Silves deveria, nessa época, diferir um pouco daquela que conhecemos hoje. A fortificação evidencia dez torres, mas apenas a de forma quadrangular, posicionada do lado esquerdo da entrada, mostra características daquele período mais remoto. As demais torres terão sido obra de alterações posteriores e, pelo menos a segunda de tipo albarrã (ligada à muralha por um arco), posicionada do lado nascente, poderá ter sido construída já em período cristão.
A cerca poligonal, adaptada à topografia do terreno, tem um perímetro de cerca de 12 000m2, sendo composta por uma potente muralha de taipa, revestida a arenito vermelho da região. A esta juntam-se oito das torres referidas e, no sector este, posicionam-se as duas torres albarrãs. A entrada neste recinto é feita através de uma porta dupla de átrio, ladeada por duas das torres que a protegiam. A norte pode observar-se uma outra porta aberta na muralha, permitindo acesso direto ao exterior, a qual é habitualmente designada por “Porta da Traição”.
Este sistema defensivo encontra-se ligado à muralha da medina por duas das torres (uma a noroeste e a segunda a sudeste) e foi residência de governadores, dos seus contingentes militares e de funcionários da administração. Os vestígios de habitações palatinas que se podem observar e percorrer no seu interior são a prova física desta evidência.
Tal como noutros castelos, a presença de uma grande cisterna e silos para armazenamento de cereais é imperativa, de modo a fazer face às restrições inerentes aos períodos de cerco. Aqui, o grande aljibe muçulmano terá sido edificado em torno aos séculos XII-XIII e abasteceu de água a cidade até aos anos 90 do século XX. É muito provável que esta grande cisterna tivesse sido erguida apenas depois da tomada da cidade pelos cristãos em 1189. Dado que a sua capacidade é estimada em 1 300 000 litros cúbicos, o que permitia abastecer aproximadamente 1200 pessoas durante cerca de um ano, se ela existisse durante o cerco, que durou três meses, o poder muçulmano não se teria rendido pela sede.
Imensamente devastado por inúmeros sismos, foi objecto de obras de restauro nos anos 40, mantendo, apesar disso, o perímetro medieval das suas muralhas.

No interior do Castelo encontram-se vários elementos dignos de registo, dos quais se destacam, na Zona Norte, o “Aljibe”, grande cisterna de planta rectangular que abastecia de água a cidade. A Sul, encontramos a “Cisterna dos Cães”. Numa vasta área localizada a nascente foram postas a descoberto estruturas de uma habitação do Período almóada (séc. XIII), que se comporia por dois pisos, um jardim interior e um complexo de banhos. Mais ou menos ao centro da alcáçova, existiu um silo (estrutura subterrânea destinada ao armazenamento de cereais, nomeadamente trigo).
O Castelo de Silves tem vindo a aumentar o número de visitantes na última década, atingindo em média cerca de 300.000 entradas por ano, o que comprova a importância deste monumento no contexto do património da região e do país e, com a conclusão das obras, espera-se um aumento da competitividade da atividade turística na cidade, através de novos elementos de atração do núcleo urbano e centro histórico.
Todas as intervenções propostas foram norteadas pelo princípio da reversibilidade, ou seja, permitindo facilmente voltar ao estado original, tendo o projeto as seguintes componentes:
» “Arranjo Interior do Castelo de Silves – Restauros”, que consiste na consolidação e reconstrução das Ruínas Arqueológicas, consertos pontuais nas Torres (cobertas), escada de acesso ao Adarve e reconstrução do pavimento do Espaço Polivalente.
» “Arranjo Interior do Castelo de Silves – Lago, Casa de Chá e Cisterna”, que consiste na implementação de uma construção ligeira sobre um lago (“toalha de água”) e na conservação da cisterna, com consertos pontuais e instalação de um passadiço interior, de forma a permitir a sua visita interior.
» “Arranjo Interior do Castelo de Silves – Passadiços de Madeira”, que consiste na construção e instalação de passadiços que permitirão aos visitantes passearem através das ruínas arqueológicas dos dois palácios islâmicos.
» “Arranjo Interior do Castelo de Silves – Betões e Revestimentos”, que consiste na construção e instalação de infraestruturas do jardim islâmico, nomeadamente dos sistemas de caminhos destinados aos visitantes, circulação de água, tanques e canteiros.
» “Arranjo Interior do Castelo de Silves – Infraestruturas de Águas e Esgotos”, que consiste na construção e instalação de infraestruturas de Águas e Esgotos, nomeadamente para instalações sanitárias, bebedouros, rede de rega do jardim islâmico, “plano de água” da cisterna e Casa de Chá/Cafetaria.
» “Arranjo Interior do Castelo de Silves – Infraestruturas Eléctricas”, que consiste na construção e instalação de infraestruturas de Eletricidade.
» “Arranjo Interior do Castelo de Silves – Jardim e Sistemas de Circulação de Água”, que consiste no fornecimento e plantação de árvores, tamareiras e plantas e no fornecimento e instalação dos equipamentos e materiais que constituem os sistemas de circulação de água e de rega.

Esta obra foi enquadrada na proposta do Plano de Requalificação da Cidade de Silves elaborado pela Autarquia, bem como nos objectivos preconizados pelo Plano Diretor Municipal e Plano Diretor de Turismo elaborado para o concelho de Silves, permitindo, para além de preservar e promover a investigação neste espaço, o desenvolvimento de núcleos turísticos que promovam atividades de recreio e lazer em complemento à oferta das praias da região. Requalificar e valorizar a cidade, melhorando a qualidade do espaço público, dotando-o de mobiliário/equipamento urbano de qualidade que estimule a sua utilização e apropriação pela população e potenciar as condições naturais da cidade, foram considerações prioritárias na definição deste projeto, valorizando Silves como um centro de animação urbano – turístico.
A obra teve início em 2003 e foi executada pela Sociedade POLIS, estando a cargo do Município a musealização do espaço. Durante a sua execução houve necessidade de ajustes permanentes de tempo e do próprio projeto, dada a extensão da intervenção arqueológica, que obrigou a uma sondagem/mapeamento de todo o terreno. Os trabalhos de arqueologia estiveram a cargo da equipa liderada pela Professora Doutora Rosa Varela Gomes. O projeto de arquitetura é da autoria dos Arquitetos Mário Varela Gomes e Pedro Correia da Costa e o arranjo paisagístico é da autoria dos Arquitetos Paisagistas Cláudia Shwartzer e Udo Shwartzer.

HORÁRIO:
Aberto todos os dias (excepto Dia de Natal e Dia de Ano Novo)
Horário de Inverno: 09:00 -17:30 (última entrada até às 17:00)
Horário de Verão: 09:00 - 19:00 (15/07-15/09 - última entrada até às 18:30)
PREÇO DOS BILHETES:
€ 2,50
(na compra do bilhete conjunto com o Museu Municipal de Arqueologia, o preço é € 3,60)
Grupos (superior a 20 pessoas):
€ 2,00 / pessoa
Crianças, Estudantes, portadores de Cartão Jovem e > 65 (usufruem um desconto de 50% sobre o valor do bilhete normal):
€ 1,25
CONTACTOS:
Tel.: 282445624
Castelo de Silves
8300-117 Silves
Georreferenciação:
Castelo/Alcáçova – 37º11’25.57’’N/8º26’17.59’’W