Retrato Geração S

Por TR

2011-2-18

Neste espaço vamos dar-te a conhecer a história de André Boto, um jovem natural de Silves.
O André, vai partilhar exclusivamente para ti, a sua história, experiências e conhecimentos.

Apesar da minha incursão pela fotografia profissionalmente ser recente (foi há cerca de 2 anos) reparo que o caminho para chegar a este ponto já é longo e foi algo que teve início a partir da altura em que decidi voltar-me para as Artes, tanto no secundário como depois na ESE de Beja onde realizei a Licenciatura em Artes Decorativas.

Foi durante esta licenciatura que o hobbie da fotografia se intensificou e comecei a pensar que poderia ser algo mais do que só um hobbie. Este percurso pelas artes foi importantissímo, pois fundamentalmente tive uma aproximação a um mundo diferente, ao mundo das artes, onde  a realidade é reeinventada apartir da visão que cada artista cria do mundo real ou imaginário. Sem nessa fase ter consciência estava a criar raízes com alguns estilos e autores que me marcam neste momento, serviram e servem de base para produzir o meu trabalho hoje em dia. É o caso da corrente do Surrealismo e de autores como M.C.Escher, René Magritte e Salvador Dali.

Depois, em 2008 rumei a Lisboa à Oficina da Imagem, a fim de fazer formação específica na área da fotografia, realizei os cursos de Fotografia Avançada e Fotografia Conceptual, ganhei importantes noções composição, estética e alguma técnica fotográfica que são a base para toda a criação visual que se possa produzir. Este foi o momento de viragem na minha vida, pois foi quando vi ser possível enveredar pela fotografia profissionalmente. A minha “visão fotográfica” era bem aceite ao ponto de um dia o director geral e professor da escola Oficina da Imagem, Carlos Marques me ter dito: “tu a fazer fotografia como fazes não estás autorizado a sair de Lisboa e voltar ao Algarve, ou Lisboa ou estrangeiro, deverias escolher por aí”. Na altura isto parecia-me estranho, pois embora a vontade fosse ficar em Lisboa não sabia se seria possível. Mas o que é certo é que uma série de portas de abriram e a citação do Professor Carlos Marques tornou-se realidade.

Num caminho que nem sempre foi fácil, pois por vezes não chega só ter vontade de seguir uma área, ainda mais quando esta não é vista como essencial, o que traz adjacente um enorme risco. Mas  houve sempre uma enorme persistência e tentativa de evolução a par da grande vontade, o que fez com que o reconhecimento viesse como consequência do trabalho desenvolvido.

O projecto Surrealismo, começado há já dois anos tem sido a grande imagem de marca e o responsável pelo maior reconhecimento do meu trabalho. Em 2010 valeu-me o certificado Master Qualified European Photographer, pela Federation of European Profissional Photographers, tendo sido na altura o primeiro português e o mais jovem europeu a consegui-lo, e mais recentemente a designação de Fotógrafo Europeu do Ano de 2010, também pela FEP.

Foi, e é um percurso de dedicação e presistência, que no fundo é o ingrediente base para se realizarem os nossos “sonhos”, mesmo num periodo de anúnciada crise.

Neste momento, vivo a tempo inteiro na zona de Lisboa, sou fotógrafo free-lancer, dedico-me à fotografia de autor, fotografia publicitária, de arquitectura e industrial e projectos de decoração de espaços além de ser actualmente um dos professores da Oficina da Imagem.

André Boto